sexta-feira, 28 de abril de 2023

 Cláudio Humberto

Ouço às vezes as criticas que esse radialista faz com insistência ao governo Lula. Nunca um elogio, só críticas, como se nada de bom estivesse sendo feito. 

Vou me ater às críticas que ele faz às invasões. Pode-se dizer que ele tem total razão, é um crime invadir a propriedade alheia. Não gostaria que invadissem a única que tenho. Mas os invasores são, para ele, sempre os criminosos. Nenhuma palavra sobre os problemas sociais brasileiros que geraram as invasões. 

Nenhuma referência às grandes usinas de açúcar e álcool que expulsaram das suas terras os trabalhadores para plantar somente cana, nada mais para a subsistência de todo um povo. Que veio em grande número para o sul, e criaram as favelas. 

Nenhuma referência aos outros criadores de monoculturas que fizeram exatamente a mesma coisa. 

Nenhuma referência aos fazendeiros que acabaram com as colônias e com os meeiros de suas terras e mandaram todos para a cidade, viver não se sabe como. 

Nenhuma referência aos latifúndios dos nordeste que aproveitaram dos seus sertanejos, antes de tudo, fortes e os transformaram em retirantes, essencialmente quando chegavam as secas: nenhuma proteção a quem já era explorado. 

Nenhuma referência aos pequenos proprietários que perderam tudo com secas ou geadas e não tiveram como pagar seus empréstimos aos bancos. 

Nenhuma referência às grandes fábricas de papel que plantaram eucaliptos nas terras que serviam de sobrevivência a quem pouco ou nada tinham, a não ser seu trabalho.

Cláudio Humberto, se os trabalhadores não têm mais onde morar, acabam por seguir líderes que podem ou não ser mal intencionados. O Brasil nunca fez o que os países nórdicos passaram a fazer: deixar quem trabalha nas terras onde sobrevivem para não virem inchar as cidades de favelas. E violência, e drogas e etc. 

Até quando, Cláudio Humberto, você vai só atacar quem só foi escorraçado nesse país? Você não vai deixar saudades quando se for, como temos saudades de  um Graciliano, que entendeu o sofrimento desse povo miserável.

quinta-feira, 27 de abril de 2023

 serginho

Li esses dias no quora um comentário bem irônico e negativo sobre o apresentador Serginho Groisman. Ele é visto como uma espécie de tiozinho sem graça, vestido para matar mas sem armas para isso. Como o comentário era aberto somente para a corriola da autora, resolvi entender o que se passa. Parece-me que a Globo tem muitos inimigos nos dias de hoje e por isso há muita gente buscando seus alvos para atacar. Como sempre vi Serginho como um antiapresentador, daqueles que vieram para ser o oposto dos grandes nomes da época em que ele surgiu, Sílvio e outros já falecidos que trabalhavam com produções caras, entendo que o objetivo dele é mesmo parecer simples, dando voz a um público que nos outros vão para aplaudir, dando voz muito mais a seus convidados do que aparecer. Faustão também surgiu para ser anti-herói, transformou-se na Globo, mas sempre deixou transparecer que o que queria mesmo era a contracultura. 

Então, Serginho, acredito que você continua até hoje porque inovou, fugiu da grandiosidade, nunca quis ser o astro que essa crítica esperava de você ao assistir seu programa. Programa que não vejo, mas, como o conheço desde a época da Cultura, espero ter entendido sua contribuição para nossa tevê. 

O objetivo aqui é deixar aberto o espaço a comentários, não entendo como um crítico queira ser o dono da verdade, né Laura?